Este artigo foi originalmente publicado na Revista Arquitextos / ISSN 1809-6298, no endereço: https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/07.080/276 em janeiro de 2007.
“É certo que a vida não explica a obra, porém certo é também que se comunicam. A verdade é que esta obra a fazer exigia esta vida.” (1)
Francisco de Paula Lemos Bolonha foi um homem de elite. Aficionado por Marcel Proust, além das correspondências do escritor, leu sua obra completa sete vezes na língua original. Tinha em sua biblioteca autores como Fyodor Dostoyevsky, Lawrence Durrell, Otavio de Faria, Graciliano Ramos, Eça de Queirós e José Lins do Rego; poetas como João Cabral de Melo Neto e Carlos Drummond de Andrade, além de filósofos como Jean-Paul Sartre, Søren Kierkegaard e Maurice Merleau-Ponty. Dos inúmeros livros de arte e de arquitetura, importa mencionar dois, de um conjunto de quatro, sobre a obra de Michelangelo: de autoria de Charles de Tolnay, foram presenteados a Bolonha no Natal de 1965 por Carlos Lacerda. Com os volumes, uma carta do ex-governador da Guanabara: “vão os livros com a minha amizade e grata admiração pelo seu valor, não só de arquiteto mas, igual ou ainda mais, porque mais raro, de pessoa”.
Continue reading “Para dentro da Concha: um olhar sobre a produção do arquiteto Francisco Bolonha”